
Atividade integrou disciplinas do 5º semestre e ampliou o olhar dos estudantes sobre a prática profissional em contextos de saúde
O curso de Psicologia do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ) realizou, na última quarta-feira (08/04), a roda de conversa “Psicologia Hospitalar e desenvolvimento humano: interfaces com a psicopatologia”. A atividade propôs um espaço de diálogo sobre as relações entre a atuação em contextos hospitalares, o desenvolvimento humano e os aspectos psicopatológicos envolvidos nesse cenário.
A discussão integrou diferentes perspectivas da prática psicológica, abordando desafios, possibilidades de intervenção e a compreensão do sujeito em contextos de cuidado em saúde. O encontro reuniu estudantes do 5º semestre, em uma atividade integrada entre as disciplinas de Desenvolvimento Humano e Psicopatologia.
Organizada pelas professoras Ana Claudia Morandi e Viviane Vianna, a roda de conversa contou com a participação do psicólogo Victor Hugo Vilaronga, egresso da UniFAJ e ex-docente da instituição, que compartilhou experiências da atuação profissional no ambiente hospitalar.
Durante o encontro, o palestrante destacou como a Psicologia Hospitalar amplia a compreensão do desenvolvimento humano em situações de adoecimento. “A psicologia presente no contexto hospitalar consegue ter uma visão ampliada de como o adoecimento é atravessado pelas fases do desenvolvimento da vida. Por lidarmos com diversos casos diariamente, conseguimos identificar o espelhamento doença-sociedade, desde o sofrimento de jovens adultos no pronto socorro, passando pelas crianças na pediatria até o idoso na clínica médica”, explica.
Segundo ele, a vivência nesse contexto é desafiadora e enriquecedora. “Acompanhar toda essa linhagem no mesmo dia, adaptando as intervenções, é ao mesmo tempo desafiador e enriquecedor”, afirma.
Ao abordar os desafios enfrentados pelos estudantes, Victor destaca o impacto do contato direto com o sofrimento. “O principal desafio é saber lidar com o sofrimento do outro. No hospital, lidamos com o luto, com a morte, com o sofrimento da família, com o inesperado do pronto socorro e com a doença física em si. Tudo isso exige preparação, que só é adquirida na prática, reforçando a importância da supervisão acadêmica e profissional”, pontua.
O palestrante também chama atenção para a necessidade de fortalecimento da atuação psicológica nas equipes de saúde. “Os alunos também vão enfrentar a resistência da equipe multiprofissional, pois a saúde mental continua sendo uma luta a ser travada”, acrescenta.
Formação prática
Para a professora Viviane Vianna, responsável pela disciplina de Psicopatologia, iniciativas como essa desempenham um papel fundamental na formação acadêmica. “Tanto a roda de conversa quanto palestras contribuem para que o aluno vislumbre as práticas do psicólogo em diversos campos e, especialmente, junto às equipes. Por meio desse diálogo com diferentes profissionais, o discente poderá protagonizar um referencial técnico e teórico ampliado em compromisso com a ciência e a ética”, destaca.
A docente também ressalta a importância das trocas presenciais no processo formativo. “Para lidar com a subjetividade humana, a formação discente requer interação com outras subjetividades, criando um campo afetivo enquanto base para a aprendizagem em nível criativo, algo que nunca será substituído pelas telas. Então, a vinda desses profissionais favorece diversas conexões necessárias à formação de conhecimento”, completa.
A atividade integra uma série de encontros que serão realizados ao longo do ano e buscam articular a psicopatologia com os processos do desenvolvimento humano durante o ciclo vital, considerando dimensões biopsicossociais e culturais.
O objetivo é fornecer fundamentos para reflexões críticas sobre diagnósticos, práticas clínicas e políticas de saúde mental, diante dos desafios éticos e técnicos contemporâneos da atuação do psicólogo e das equipes de saúde.






